quarta-feira, 28 de julho de 2010

CONSCIENTISTAS - A MALEDICÊNCIA - (PAG.4)

A língua não é apenas aquele “ órgão oblongo, achatado, musculoso e móvel da cavidade bucal , o órgão da deglutição, do gosto e, no homem (genericamente falando ) de articulação das palavras “tal qual a define Michaellis. É, muito mais que isto, um instrumento da mais alta periculosidade, dependendo do uso que dela se faça. Poderá ser um agente de concórdia, mas também de discórdia, dois efeitos diametralmente opostos. “Nunca me arrependi daquilo que não disse”, afirma o sábio. “Calar é ouro, falar é prata...”, diz o adágio.

A maledicência – ou o popular “fofocar” – traduz o máu caráter de quem a pratica, que o faz para satisfazer uma necessidade quase biológica de atingir seu semelhante, diminuí-lo, prejudicá-lo, humihá-lo. Ao fazê-lo, no entanto, não se dá conta de que o maior prejudicado é ele próprio, porque seu caráter vai aos poucos se deteriorando, fazendo com que perca seu próprio respeito, muito tempo após perder o respeito dos que com ele convivem. Sem que o constate. Vale lembrara grande assertiva, segundo a qual “ Quando voltares teu indicador para outrem, em postura acusatória, teu indicador estará voltado para ti...”
Quanto de bom se pode dizer, transmitir e assimilar, quando convivemos com parentes, amigos e conhecidos. Por vezes, animicamente abatidos, nos zigue-zagues de nossas vidas, recebemos uma inesperada visita. Inicialmente insatisfeitos sentimo-nos, no desenrolar da conversa, satisfeitos, animados, até mesmo inspirados para resolver os problemas, mesmo que nada tenhamos mencionado ao visitante.

Se podemos capitalizar esse tempo com conversa construtiva, porque usá-lo de forma oposta, o que a nada nos levará , a não ser ao retrocesso ?... Sem qualquer resquício de fanatismos religiosos, culturais, éticos ou filosóficos, cremos firmemente nas vibrações que nos resultam daquilo que fazemos. Se não respeitamos nosso semelhante não podemos pretender que nos respeite. Viver envolve mão e contramão , não sendo desejável colidirmos com a verdade.

A maledicência é, certamente, uma das pióres e mais cruéis formas de desrespeito, porque é praticada de forma oculta por pessoas covardes, que se recolhem na hipocrisia, nos falsos sorrisos, na podridão imperceptível de um caráter enfermo. Mas, ao longo do tempo, o maledicente será vítima da autofagia que supunha impossível.

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